Programa transdisciplinar de intercâmbio entre artistas brasileiros e holandeses sobre alteração de paisagens e uso da terra.

Uma parceria de Green Art Lab Alliance, TAL – Tech Art Lab e A boneca conceitual, com apoio institucional do Consulado Geral dos Países Baixos do Rio de Janeiro.

Mudanças de paisagem em larga escala tais como barragens hidroelétricas, geo-engenharia, mineração e monucultura, são maneiras de remover emaranhados ao seus respectivos lugares. Estas alterações têm consequências de longa duração, diretas ou indiretas, incluindo alagamentos, incêndios descontrolados, extinção de espécies, desmatamento e poluição de solo e rios. O uso da terra, especialmente para energia e comida, define a estética das paisagens brasileiras e holandesas, sejam suas monoculturas ou estufas, barragens ou turbinas eólicas. Principalmente para comida e combustível, tanto o Brasil quanto os Países Baixos estão homogenizando os cenários tão extensivamente que nós estamos perdendo a complexa noção de lugar e pertencimento. Tradicionalmente flora e fauna definem-se como lugares não urbanos; a biodiversidade é uma rede complexa, influenciada por temperatura, humidade, fluxo de ventos, bactérias, micélio e muitos outros fatores ecosistêmicos. Todos se alimentam um dos outros e formam intrincados relacionamentos interdependentes que criam ambientes habitáveis para inúmeras espécies, inclusive humanos. Nós propomos que remover esses emaranhamentos pode sugerir o não-lugar do século 21. No livro de Marc Augé “Não-lugares: Introdução à uma Antropologia da Supermodernidade (1995)” eles são aeroportos, estradas, hotéis, estacionamentos, marcando a perda das relações, história e identidade da nossa sociedade atual. Agora, mais de 25 anos após o lançamento do livro, nós podemos dizer que são os alagamentos globais, incêndios, monoculturas, secas, mineração e desmatamento em larga escala que marcam e definem a nossa época “pós-supermoderna”.  

O ponto de partida para este projeto é a noção de que devido ao aumento das demandas globais por combustível e produção de alimentos, as terras de agricultura estão gradativamente se tornando não-lugares. Irrigações e fertilizantes permitem-nos adaptar as paisagens de tal forma que podemos plantar vegetais mais populares (soja, milho, batata, cana de açúcar, arroz, trigo) mesmo que completamente fora de seu contexto. Em estufas, populares nos Países Baixos, nós criamos microclimas artificiais para aumentar a eficiência. Poderíamos até dizer que um campo de trigo ou uma estufa são tão domesticados quanto um cenário urbano. Tanto Brasil quanto os Países Baixos são jogadores importantes no mercado internacional de alimentos, cada vez mais afetando ecossistemas ao ponto de colapso. Embora ambos os países estejam em pontas opostas do globo terrestre, eles estão, ao mesmo tempo, sendo afetados pela crise climática. O Brasil devido ao desmatamento, agrotóxicos, e suas complexidades emaranhadas, e os Países Baixos porque estão propensos à elevação dos níveis do mar – entre outras muitas razões.

Nós acreditamos que artistas tem um papel significante em trazer novas formas de apresentar estes tópicos para o público. Ambas as curadoras e a produtora executiva se conheceram na Amazônia em agosto de 2019, durante a residência artística Labverde. Os incêndios na floresta estavam descontrolados, e nós nos aproximamos a partir de nossa profunda preocupação sobre o futuro da Amazônia. Uma grande parte do desmatamento é devido à apropriação de terras para criar roças de monocultura e pasto. Plantações e carne que então serão exportados para países incluindo os Países Baixos. Embora um país seja pequeno e o outro muito grande, tanto Brasil quanto os Países Baixos são participantes importantes e intrincados no mercado internacional de alimentos. A urgência por mudança é maior que nunca com ecossistemas colapsando e doenças zoonóticas  surgindo (devido à perda de espécies). Nós queremos aumentar a conscientização tanto no Brasil quanto nos Países Baixos e facilitar a troca de conhecimento sobre o tema. Nós também acreditamos que existem muitas soluções inovadoras nos Países Baixos no que diz respeito a plantio e estufas e ainda assim pode aprender muito sobre as práticas indígenas e tradicionais e plantações comunitárias.

Changing Landscapes/Alterando Paisagens é um programa de intercâmbio internacional entre artistas brasileiros e holandeses que tem interesse em temas tais como uso da terra, sistemas de alimentos, disputa de terras, energia (de hidroelétricas e turbinas eólicas), plantações, clima, biodiversidade e outros assuntos afins. Através de conversas curatoriais, grupos de estudo e outras formas de intercâmbio de cohecimento, o propósito do projeto é estimular o engajamento criativo com a (problemática) noção de paisagem antropocênica em ambos os países.

Dois artistas brasileiros e dois artistas holandeses foram selecionados pelas curadoras, em colaboração com as Residências Labverde (Brasil) e Valley of the Possible (Países Baixos/Chile), para desenvolver um trabalho durante o programa que será compartilhado a partir deste website.

Exposição

Transcozinha

Uma cozinha ancestral oferece alimentos vivos. Técnicas milenares misturadas para produzir papel. Hora suporte, aqui objeto. O processo de confecção de objetos relacionais ​​com a celulose bacteriana produzida a partir de resíduos alimentares é uma experiência com diferentes possibilidades: Cascas para alimentar sonhos vivos. Realizar as ideias e estabelecer uma conversa com a natureza. Observar a existência dos microorganismos, cultivar sem colonizá-los. Interagir e aprender com o ritmo do microcosmos sobre a transformação dos materiais e sobre o tempo. Como tornar isto vísivel? A fermentação e a poesia caminham sobre o mesmo solo. Um novo mapa. Uma folha crescida por bactérias coexistenciais. Seres vivos criantes da sobra à obra.

Confira as obras completas de Daniela Serruya Kohn aqui.

‘meio escondido, movido por musgo, como uma nuvem’
(trabalho em progresso)

Através da revisitação diária de 6 locais em seu parque local, a artista Marit Mihklepp começou a nutrir um íntimo relacionamento com seu meio-ambiente direto, percebendo suas mudanças sutis com todos os sentidos. Criar relacionamentos com a nossa paisagem local nos ajuda a começar a cuidar dela; isso nos permite ver como ela muda com as estações ou quais espécies dependem dessa paisagem, usando-a como habitat, espaço de alimentação, cruza e nascimento. Esse exercício é algo que qualquer um pode fazer, treinar os sentidos e tomar notas sobre as mudanças ou inércias. Uma meditação que nasce da simplicidade, e ainda assim possibilita a percepção da complexidade do lugar. Cada dia de Março 2021 eu fui caminhar em Westduinpark, Haia. Eu segui uma mesma rota, tomei notas e tirei fotos dos meus 6 lugares. Era um simples exercício de entender como uma prática mais persistente de reunir-me com um mesmo cenário poderia sintonizar e conectar meu corpo a ritmos diferentes dos meus. Mais do que procurar por algo específico ou entrar com um plano pré-existente, eu tentei caminhar com a cabeça vazia. Eu não tinha a menor ideia se este método teimosamente sistemático de tirar fotos com o celular faria qualquer sentido. Os escritos marcavam as observações dos encontros, dos estados mentais ou qualquer coisa que eu coletasse pelo caminho. Foi uma luta não pensar demais e não recair nos padrões embutidos de que eu deveria produzir algo imediatamente. Talvez também porque as escapadas nas dunas começaram como espaço feitos pelo homem onde agora a linguagem multissensorial de seres de dunas e meteorologia – pinhas, chuva, vacas das terras altas, grama, melros, areia, nuvens – estão de novo criando suas próprias ordem e caos. Todos os 31 das de Março se encontram em uma única imagem de cada local escolhido. Os escritos se tornaram leituras, alternando da paisagem que os engatilhou para qualquer paisagem onde a escuta tenha lugar.

Confira as obras completas de Marit Mihklepp aqui.

Projeto Decomposição: Tecendo um Jardim como Floresta e uma Floresta como Cemitério (trabalho em progresso)

Após morar em diferentes bairros de Brasília, me mudei para Alto Paraíso de Goiás no segundo semestre de 2020. A cidadezinha fica no coração do Cerrado, o segundo maior bioma brasileiro, atrás da Floresta Amazônica. Desfiz minha vida na capital do Brasil pretendendo me mudar para Chicago. Quando fui impedido pela pandemia de ir para o exterior, ajudei minha mãe a realizar o sonho da casa própria – em uma cidade pequena e com um espaço generoso para o cultivo de um jardim florestal. Quando chegamos, o solo estava degradado de forma que nem mesmo grama crescia. Por saber algo de agroecologia, me apressei a intervir no espaço plantando muitas espécies: nativas, não nativas, frutíferas, vegetais, comida inconvencional – a maior variedade possível, para aproveitar ao máximo o início da estação chuvosa. Inicialmente, resisti a entender que minha prática de mudar a paisagem seria um novo projeto artístico, mas reconhecendo que estaria aqui por tempo indeterminado, vi o confinamento como possibilidade de residência artística. Delimitado pelos quatro cantos dos muros da nova casa, teço alianças com seres visíveis e invisíveis, criando um jardim heterogêneo e pluriversal. 

Tomo emprestado da ecologia o termo “distúrbio” para nomear ações que tenho empenhado no espaço esperando por resultados diversos: o que acontece se eu der um manjar de coco às minhocas? E se eu inocular fungos em fotos de família? Pretendendo fazer arte surgir de relações ecológicas, por agora estou comprometido com o desenvolvimento de duas peças: a primeira é uma instalação site-specific chamada Torre: Perspectiva Vertical sobre Relações Multiespécies; e a segunda é um filme experimental, esculpido como um trabalho gêmeo. Distúrbio é um termo comumente conectado com degradação, “mas como usado por ecologistas, nem sempre é ruim, nem sempre é humano”, diz Anna Tsing. Alguns distúrbios parecem pequenos: como a inserção de uma árvore de espécie exótica. Outros são grandes: como a queimada de centenas de hectares de Cerrado. O que sucede a este último distúrbio tão comum durante a estação seca é o exuberante rebrotamento de muitas plantas que tem raízes profundas e cascas grossas. Tais brotos atraem herbívoros famintos que, até pouco tempo, fugiam do fogo. Distúrbios abrem espaço para encontros transformadores, possibilitando novas assemblagens. “Distúrbios podem renovar ecossistemas, assim como destruí-los”. No jardim, muitos dos distúrbios são provocados por mim, mas estou ansioso por ver o sistema emergindo por meio de outros seres, independente da ação humana. Desejando expandir a ideia de ecologia, proponho que distúrbios sejam entendidos não só como as mudanças trazidas pelas relações ecológicas no jardim, mas também aquelas que alteram o contexto sócio-político. Na nossa narrativa, distúrbio é o elemento que faz a trama avançar, beat a beat até que se alcance o clímax.

Durante os primeiros meses aqui, me dediquei a ativar a casa, criando um sistema de produção e consumo. Nós temos um minhocário, outra composteira para os restos de comida que as minhocas não gostam, uma caixa d’água para acumular a água cinza descartada pela lavanderia e um espaço para fogueira. Tudo se transforma em solo, até mesmo as cinzas. Quando colhemos no jardim, nos interessamos por pesquisar novas receitas. É uma casa inclinada à agroecologia porque retêm a energia que produz. As técnicas desse tipo de agricultura ensinam como manter tudo na terra. Podas de galhos, folhas, raízes ressaltam o sutil intervalo entre vida e morte, composição e decomposição. Cultivando uma grande variedade de espécies, a necessidade de pesticidas contra insetos é suprimida, justamente porque se evoca uma dinâmica florestal caótica na qual dificilmente a população de uma única espécie cresça até se tornar peste. Tal dinâmica caótica, na qual vários tipos de plantas habitam o mesmo canteiro (o oposto do modelo monocultural), atrai diversos pássaros, insetos e fungos.

Não estamos acostumados a ler histórias sem heróis humanos, Anna Tsing nos diz em The Mushroom at the End of the World – On the Possibility of Life in Capitalist Ruins. Trago aqui uma de seus problemas, palavra por palavra, porque sintetiza uma grande questão do meu projeto: “Posso apresentar a paisagem como protagonista de uma história na qual os humanos sejam apenas um tipo de participante?” Como posso reconhecer outros seres vivos como “personas”, ou seja, personagens de histórias? A história que quero contar identifica as redes que são tecidas no quintal da casa que moro com minha mãe, meu namorado, meus dois gatos e infinitos outros seres. Mas também inclui a cidade e se espalha pela malha rural do estado de Goiás – marcado pelo agronegócio e seus imensos hectares de monocultura e pastos para gado. O que pode significar um jardim agroecológico no meio desse “deserto verde”?

Torre: Perspectiva Vertical sobre Relações Multiespécies tem uma estrutura de quatro andares que sugerem a narrativa do filme-gêmeo: no primeiro andar, estão as minhocas esperando por oferendas comestíveis para pessoas queridas já falecidas; o segundo andar é um altar que minha mãe customizou com fotos, rosário e outros objetos católicos. O próximo é uma chafariz ativado por energia solar que espalha umidade, atraindo pássaros e borboletas. O último andar é um prato com frutas e sementes ofertadas para os pássaros. Eu pintei um triângulo azul no muro que pode tornar mais fácil trocar o fundo, transferindo os pássaros para outras paisagens por meios de efeito chroma key. Além disso, também há um quinto ato narrativo: ao longo dos tubos que estruturam a peça, estou cultivando cogumelos bioluminescentes que, espero, brilharão verde à noite, dando à instalação uma versão noturna. Ter cogumelos frutificando no centro do jardim é também uma maneira de lembrar que debaixo do solo desse jardim-floresta, fungos se estendem em redes, se conectando às raízes de plantas e minerais. O filme narra essas relações multiespécie numa perspectiva vertical e tem minha mãe como uma personagem contando suas expectativas para o jardim. Escutamos seu testemunho oferecendo cada uma das plantas que ela coloca no chão para cada um dos falecidos. Ela tece o jardim como uma floresta e uma floresta como um cemitério. Entendendo que a Torre é uma peça site-specific, esta se limita a ser experienciada por aqueles que podem testemunhá-la no contexto pandêmico – os moradores da casa, os pássaros que visitam todos os dias buscando comida, insetos, fungos, gatos. O trabalho não pode ser fisicamente transportado para uma galeria de arte, uma vez que é ativado por forças ecológicas de um lugar específico. Proponho Torre como um trabalho que nos ajude a ver as redes de relações que se estabelecem no jardim e além. Algumas espécies, como os fungos, crescem na estrutura, enquanto outras, pássaros e insetos, são atraídas randomicamente, aumentando a indeterminabilidade de encontros. Quanto mais pareço confinado e isolado, mais o projeto é coletivo e colaborativo. Não porque eu sei quem são meus colaboradores, mas muito mais porque não sei de muitos deles que operam no sistema. Porque sua presença é invisível e às vezes até seu trabalho nos pede para apertar os olhos para que seja notado. Acredito que em algum momento precisarei pensar mais sobre a ideia de autoria interespécie. Depois de meses de interferência no espaço, já reconheço a presença recorrente de alguns seres, que poderia chamar de parceiros. A rede está sempre crescendo, minhocas, lagartas, formigas e moscas. Estou indo ao encontro delas, que já nem sempre fogem. Já me sinto desejado. Estamos nos atraindo.

Confira as obras completas de Maurício Chades aqui.

Superorganismos

Invisível ao olho nu, mas ameaçado por nossa atividade. Como nós podemos tocar a rede de um organismo crucial mas subestimado? A rede de fungos micorrízicos é o maior sistema vivo que jamais existiu na Terra e desempenha uma papel crucial em ecossistemas, fonte de carbono tanto quanto nossa própria existência. Comumente descrita como a ‘internet’, ou o ‘cérebro’ da floresta, quase todas as plantas estão conectadas através dessa rede fúngica abaixo da terra. Regularmente referenciada como uma forma de comunicação, plantas “negociam” carbono com a rede fúngica, melhorando o acesso a nutrientes, minerais e água. Mais da metade do carbono processado por plantas durante a fotosíntese passa através da micorriza e é amarzenada no solo. Essa simbiose ancestral entre plantas e fungos está ameaçada pela atividade humana, tais como o uso de fertilizantes e pesticidades, desmatamento e mudanças no uso da terra. Quando eu descobri esta colaboração entre plantas e fungos, eu notei o quanto nós somos inclinados a compará-la com estruturas humanas, como a internet ou o cérebro. Até certo ponto isso os ajuda a estimular a empatia para com ela, ainda que simultaneamente limitando o entendimento desse fenômeno relativamente novo.

‘Sabemos mais sobre o movimento dos corpos celestes do que sobre o solo sob os pés –Da Vinci

Knurl é um instrumento eletroacústico 3D, desenvolvimento pela musicista brasileira Rafaele Andrade, que estuda no Conservatório Real, em Haia. Em colaboração, Andrade e Bousema criaram uma versão compostável do instrumento. A performance foi gravada na exposição de Bousema no parque nacional holandês De Kaapse Bossen, nos Países Baixos.

Com este projeto Bousema almeja conectar-se com a rede fúngica abaixo do solo, usando todos os sentidos. Em colaboração com a perfumista Merle Bergers, está criando uma essência que represente a rede fúngica.

Esse projeto foi desenvolvido em colaboração com a cientista de solo Nadia Soudzilovskaia e estudantes PhD Riccardo Mancinelli, Weilin Huang & Chenguang Gao. O projeto teve apoio institucional da MIAP Foundation and Mondriaan Fonds. No verão Bousema trabalhará em Textiellab Tilburg (NL) para criar uma teia suspensa que retrate a simbiose entre plantas e fungos. Siga o progresso no website: www.suzettebousema.nl e Instagram @suzettebousema Se quiser continuar atualizado sobre projetos e exposições, envie um email para suzette@bousema.eu

Confira as obras completas de Suzette Bousema aqui.

Artistas

Daniela Serruya Kohn

Mora em Belo Horizonte. Formada em Pintura pela Escola de Belas Artes – UFRJ. Semi finalista no Prêmio Rockfeller de Visões em Sistemas de Alimentos (2019-2020); Residência Alterando Paisagens (2021). Autocozinha: workshop semanal no centro de atenção psíquica Freud Cidadão, Belo Horizonte (em andamento). Realiza Jantares no Escuro: experiência gastronômica multisensorial (2017-2020). Através de Cozinha Nômade, projeto transdisciplinar criado para integrar Artes Visuais, Ecologia e Cultura Alimentar, oferece workshops de conscientização alimentar através da fermentação selvagem, e desenvolve estudos com bio-materiais para abordar o relacionamento entre humanos, comida e interação social.

Marit Mihklepp

Artista estoniana, atualmente baseada nos Países Baixos. Mestra em ArteCiência pela Royal Academy of Art, Haia, e bacharel em Design Têxtil pela Estonian Academy of Arts. Marit especula sobre a im/possibilidade de comunicação entre humanos e outros-não-humanos. Trabalhando com parentesco estendido – tanto com familiares (pedras, árvores) quanto inexplicáveis (matéria escura microbiana) – ela almeja uma experiência íntima dentro do emaranhamento de tempo e espécies cruzadas. Seu trabalho atual foca em imaginação geológica e encontro com rochas.

Maurício Chades

Maurício Chades é artista visual e cineasta piauiense. Mestre em Arte e Tecnologia e Bacharel em Audiovisual pela UnB, cursa um MFA na SAIC School of the Art Institute of Chicago, no departamento Film, Video, New Media and Animation. Decomposição, rituais de morte, ficção especulativa, relações interespécie e tensões territoriais são temas que orbitam seu trabalho, que assume diferentes formas a cada projeto – entre filme, instalação, escrita, bio-arte-e-tecnologia e performance. Em 2019 apresentou sua primeira exibição solo, Pirâmide, Urubu, na Torre de TV Digital de Brasília.

Suzette Bousema

Com a mesma curiosidade de um cientista, Suzette Bousema visualiza temas ambientais contemporâneos. Condições planetárias e nossa lugar dentro delas é o ponto de partida de seu trabalho; a forma como humanos interferem com a natureza e como nos relacionamos com a Terra num nível particular. Visualizando a beleza da pesquisa científica, mira contribuir para o corrente debate ambiental de forma positiva. Inspirada pelo livro “Hiperobjetos” de Timothy Morton, Suzette visualiza ‘objetos’ que são muito grandes ou muito abstratos para manusear, tais como mudanças climáticas e poluição global.

Equipe

Yasmine Ostendorf – curadora e diretora do programa

A pesquisadora/curadora Yasmine Ostendorf comanda o Green Art Lab Alliance, uma rede de 45 organizações culturais na América Latina, Europa e Ásia, que busca a justiça social e ambiental. Ela é a fundadora do Departamento de Pesquisas da Natureza na Academia Jan van Eyck (Países Baixos) e o Future Materials Bank. Tem atuado como curadora de residências em diversas instituições, incluindo Bamboo Curtain Studio (Taiwan), Kunst Haus Wien (Austria) e Capacete (Brasil). Atualmente está baseada em uma fazenda de permacultura e comida florestas em Minas Gerais, onde cuida de cogumelos e desenvolve sua pesquisa ‘Micélio como Metodologia’.

Gabriela Maciel – curadora e diretora do programa

Fundadora e diretora da organização TAL Tech Art Lab (desde 2011). Criadora, diretora e curadora de projetos presenciais e online no Brasil e no exterior, tais como, mais recentemente: Alterando Paisagens; Tech Art Lab Session 1 Brazil Switzerland; Possible Futures; EV_Largo (2019-2021); co-curadora de Re_Act, Contemporary Art Laboratory and Matter non Matter (2017-2018); Embaixadora e curadora da The Wrong New Digital Art Biennale no Rio de Janeiro (2013/2017). Seus projetos culturais estão publicados em: Scandale Project, Art Reserach Map, JuneJoonJaxx, Art Tribune, Artsy, O Globo, ArtRio, Premio Pipa, Wish, The Kinsky, DasArtes and ShiFt Japan.

Patricia Bárbara – produtora executiva

Também conhecida como A boneca conceitual, é produtora criativa e artista transdisciplinar graduada em Cinema. Tem trabalhado para muitos dos mais importantes festivais brasileiros de artes e cultura, tais como Festival Curta Cinema (1997 a 2006); FEMINA – Festival Internacional de Cinema Feminino (2004, 2005 e 2012); Festival Panorama (2007 a 2009); Festival Atos de Fala (2014 a 2016); Festival Ultrasonidos (2019). Festival Multiplicidade (desde 2012). Simultaneamente desenvolve seu trabalho performativo, onde usa seu corpo como ferramenta para comentar e questionar padrões, regras, limites, conformações e distâncias impostas.